quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Por mais u real


Por mais um Real...



  Rico, pelo menos, no conceito dos amantes da matéria, não sou, pois, bens materiais tenho quase que o mínimo necessário para manter-me imune aos efeitos da pobreza; digo quase, por que dele - do necessário mínimo - passou em volume e valor, um tanto mínimo, o meu patrimônio suscetível às traças; assim pude fazer, uma vez que adquirir o mínimo além do necessário, mínimo esforço exige... Por assim ter feito, digo que por mais um Real, ou por menos um, fico na mesma, ou seja, não passo a ser rico, e não volto a ser pobre.
  Querido leitor, veja que as confissões, ainda que verídicas e sinceras, quando lançadas ao espaço virtual, não valem para o espaço real, pois realmente, o mudo de tudo é diferente do mundo do nada.
Com este preâmbulo, bem justificado ficarei quando lhe contar o seguinte:
  Quando sou obrigado a caminhar nos passeios públicos, vejo de maneira singular para aonde está indo o povo, ou antes, constato que o povo está indo para muitos lugares sem saber o porquê de tão desenfreada caminhada. Já que sou de carne e ossos dependentes de real, andando mais uma vez no meio do povo, que para mim, povo meu não é, me deparei com uma moeda de um Real esquecida pelo caminho; tão logo ela brilhou aos meus olhos, o suficiente para se identificar, quisera minha incauta mão direita recolhê-la; para não frustrar o meu desejo, e não denunciar a minha ação, abaixei abruptamente, para acomodá-la em um dos bolsos meus; todos eles vazios da necessidade de se ocuparem com mais um real. Creio que ninguém viu aquele movimento tão veloz e suficiente para tomar posse daquela que alheia já mais não era. Ninguém viu, mas, uma única pessoa precisaria ter visto, ou antes, precisaria ter previsto tão repentino expediente, que logo à sua frente aconteceu; se tivesse previsto, ou em última instância, se visto tivesse, não teria caído da própria altura em detrimento da integridade do colo do seu fêmur direto.
Foi assim que me envolvi, ou melhor, por conta de mais um Real, provoquei um acidente grave que envolveu expectadores alarmados em torno de uma senhora já bem idosa desespera com uma das pernas fraturada.
Pobres somos, a senhora da perna quebrada e eu, senhor de mais um Real. A ela faltou destreza e cálcio no corpo, a mim, sobrou apreço pelos metais no bolso...


Quer falar comigo?
Antes mesmo de ouvir a sua resposta, não importando qual seja, vou aguardar a sua voz...

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